Arte, Design, Tipografia

HOMELESS FONTS

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Destaque-HomelessFonts (1)Eu não estava nem procurando por fontes, quando entrei por acaso no site HOMELESS FONTS, assisti o vídeo de apresentação do projeto, e tive certeza: eu estava olhando para um dos projetos mais bacanas dos últimos tempos!

A ONG Arrels Fundación, de Barcelona transformou a caligrafia de moradores de rua em fontes tipográficas, e o fundo da venda das fontes será revertido para apoiar projetos para os sem-teto. As fontes são super bacanas, e eu já de cara penso em vários projetos onde poderia TODAS as fontes. A agência de publicidade The Cyranos McCann, colaborou pra caramba com o projeto digitalizando a caligrafia dos moradores. As fontes são vendidas no site Homelessfonts.org e custam €19 (Licença Pessoal) e €290 (Licença Empresarial).

A campanha foi lançada em junho e já teve bons resultados nas vendas para empresas e designers de vários países, inclusive do Brasil. A Fundação Arrels há 27 anos ajuda os sem-teto de Barcelona, como Francisco Cáceres viveu mais de 50 anos no Brasil, mas virou sem-teto na Espanha. Olga García, representante da ONG, reforça que mais do que um incentivo financeiro ao trabalho da fundação, o objetivo da campanha é dar visibilidade ao problema. A grande mensagem que a iniciativa transmite é que “essas pessoas não são um pedaço de papelão que caminham pela rua”.

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Histórias:

O desenhista aposentado Miquel Fuster Jaca, 70 anos, morou durante 15 anos nas ruas de Barcelona e participa do projeto. Sua letra é uma das dez fontes já disponibilizadas no site. “Quero colaborar para dar visibilidade a esse problema e acabar com o estigma dos moradores de rua”, conta ‘a BBC Brasil. Loraine, nascida em Londres, conta que foi morar nas ruas em Barcelona em 2009, após ter o passaporte roubado. Ele lembra que viu a vida desmoronar junto com o apartamento em que morava, que se incendiou. Nas primeiras noites após perder a casa, dormiu em uma praça no bairro onde morava. Era um consolo ver caras conhecidas. Com o tempo, afirma que sentiu que sua presença já não era mais bem-vinda e passou a perambular pela cidade. Agora, as fontes criadas por ela ilustram os rótulos de garrafas de vinho, graças ao projeto

Miquel conta que, no tempo em que viveu na rua, tornou-se alcoólatra e foi vítima de agressões. Sobrevivia dos desenhos que fazia e vendia para turistas e transeuntes. “Na rua, o primeiro sentimento é de incredulidade. Depois vem a raiva contra si e contra todos, pois vivemos em um mundo hostil. Logo vem o sentimento de luto pela vida que já não podemos recuperar”, descreve Miquel. Hoje ele vive em um apartamento protegido pela fundação e colabora com projetos da entidade. Ministra palestras sobre sua experiência como sem-teto, que pode servir de exemplo para muitas pessoas. Como quando fazia cartazes, mais uma vez Miquel pegou a caneta para escrever. Dessa vez, o que está pedindo é que os moradores de rua deixem de ser invisíveis.

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